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A Força Aérea está a recuperar os helicópteros Puma, cuja frota havia sido desactivada em Novembro de 2006, devido a problemas com a assistência técnica aos novos H101-Merlin. Um primeiro helicóptero do conjunto que se encontra armazenado nos hangares da Base Aérea N.º 11 (BA11), em Beja, fez testes de voo no final da semana passada. De acordo com informações a que o JN teve acesso, são quatro os Puma que estão a ser preparados para voltar ao serviço operacional. Uma equipa de especialistas, composta por cerca de vinte sargentos e seis oficiais, está, desde meados de Fevereiro, a trabalhar nos hangares da BA 11 em inspecções técnicas e revisão dos aparelhos, por forma a que os mesmos sejam colocados em condições operacionais.
Depois de o primeiro aparelho ter efectuado testes de voo, durante a passada semana, e ainda que oficialmente tal facto não seja confirmado, "as outras três aeronaves deverão estar operacionais até ao final do presente mês de Abril", disse fonte da FAP. Os quatro aparelhos deverão ser enviados para a Base Aérea N.º4, nos Açores, a fim de substituírem os EH101 Merlin cuja operacionalidade se encontra muito limitada.
Recorde-se que os Puma estavam armazenados em Beja para eventual venda desde Dezembro quando tinham terminado o serviço na BA4, sediada na base das Lajes, nos Açores, e sido substituídos precisamente pelos novos Merlin.
Contactado pelo JN, o porta-voz da Força Área Portuguesa, tenente-coronel António Seabra, justificou que "se está a estudar a capacidade técnica e operacional dos aparelhos", acrescentando que "não há ainda uma decisão" sobre a possível deslocação para a Base das Lajes.
Recorde-se que a frota de helicópteros EH101 Merlin, que começou a equipar a FAP em Fevereiro de 2005, tem apresentado alguns problemas nos rotores que, inclusive, terão estado na origem de um incidente, em 15 de Novembro do ano passado, no aeródromo de São Jorge, nos Açores, durante uma evacuação médica. Um outro incidente semelhante, mas durante o voo numa operação de resgate ao largo da costa, acabou por levar à suspensão da actividade operacional dos Merlin durante as investigações.
Na altura, a Força Aérea emitiu um comunicado onde revelava que "durante as operações de embarque, o helicóptero afastou-se do solo, de uma forma inesperada, cerca de um metro, tendo do incidente resultado cinco feridos dois bombeiros, duas enfermeiras e uma médica". Esta última, apurou o JN, terá ficado com lesões graves irreversíveis. As restrições foram levantadas no final de Janeiro, mas a reduzida operacionalidade da frota mantém-se devido a problemas no fornecimento de sobressalentes pelo fabricante, a Agusta-Westland.
Neste momento, dos 12 aparelhos Merlin que compõem a frota, apenas três estão operacionais, tendo já sido assumido pelo próprio chefe do Estado Maior da Força Aérea que a actividade se mantém devido à "canibalização". Isto é, os aparelhos estão a voar com peças retiradas dos restantes.
Através do programa de reequipamento militar, o Estado investiu 450 milhões de euros na aquisição de 12 aeronaves EH-101 Merlin. Porém, ficou por celebrar o contrato de longo prazo para a manutenção e operação.
Apesar do "ressuscitar" dos Puma ser encarado como "uma operação com custos muito elevados", a sua fiabilidade nas operações de busca e salvamento nos Açores "é maior do que com o Merlin", aeronave conhecida como o "Rolls Royce" dos helicópteros. in Jornal de Notícias |