O comandante da unidade, Eurico Craveiro, explicou à agência Lusa que o dia aberto pretendeu divulgar a actividade da Força Aérea Portuguesa e da BA5 junto da população, sobretudo da comunidade local.
O coronel piloto aviador explicou que o propósito é também divulgar «junto dos mais jovens [e] junto dos pais» o trabalho da BA5, unidade que «tem como missão garantir toda a defesa aérea do país» e está em «permanente prontidão».
Na BA5 estão estacionadas duas esquadras de caças F16, cada uma delas com 12 aeronaves, que hoje realizaram um novo recorde nacional, apresentando-se, as 24, em formação no céu.
Pela manhã, assim que a BA5 abriu portas, Maria da Conceição, de Leiria, correu em direcção às inscrições para o baptismo de voo, esperançada de que o seu nome fosse sorteado para um voo.
Com 61 anos e sem nunca ter entrado num avião, Maria da Conceição confessou o desejo de fazer o «voo num avião de guerra».
Assumindo ser «muito destemida», assegurou que não ia desistir mesmo perante as centenas de pessoas que estavam perfiladas à sua frente com igual objectivo.
Com lugar reservado estavam, no entanto, cerca de 260 alunos do 1.º ciclo do concelho de Leiria que participaram num concurso sobre a BA5.
«Fui eleita», disse Carolina Santos, de dez anos, momentos antes de entrar na aeronave C 295M, de transporte aéreo táctico.
A frequentar a escola de Colmeias, a criança explicou que foi um desenho de um avião a sobrevoar o Castelo de Leiria que lhe deu o passaporte para um passeio de dez minutos com direito a ver o mar no concelho vizinho da Marinha Grande.
«Sem medo» de voar, Carolina Santos mostrava-se, contudo, impressionada com os «muitos aviões» que povoavam a base.
Habituado ao movimento das aeronaves, Jorge Ruivo, de 44 anos, da Marinha Grande, adiantou que o seu interesse pelos aviões cresceu na mesma proporção com que sobrevoavam a escola que frequentava. Começou pelos F86, continuou com os F16 e com a fotografia.
«É um privilégio fotografar estas máquinas», desabafou.
Também André Garcês, de 20 anos, de Lisboa, é um repetente na BA5.
Membro da Associação Portuguesa de Entusiastas de Aviação, André Garcês explicou que se deslocou a Monte Real por causa dos aviões F16, do convívio e pelo espectáculo aéreo.
O jovem explicou que o gosto pelos aviões é uma espécie de herança familiar à qual aliou outra paixão, a fotografia.
Para André Garcês, um spotter é um «amante da aviação» que faz colecção de aviões, registada em fotografia, filme ou no bloco de notos.
«No fundo é como se fosse uma colecção de selos, uma colecção de cromos da bola», declarou, explicando que a maior loucura que fez por aviões foi colocar-se no fundo de uma pista com um avião a deslocar-se na sua direcção a baixa altitude.
Para André Garcês, este é um gosto como os outros, mas «muito saudável».
«É um gosto que só faz é bem. Estamos ao ar livre, fartamo-nos de fazer exercício porque andamos quilómetros para ir para um certo ponto ver os aviões», considerou.
In: Lusa / SOL