O’Leary deixou muito claro que quer a Ryanair a operar no Terminal 2 do Aeroporto da Portela, que considera "perfeito" para o modelo de operação da Ryanair e, mais do que isso, que considera estar "subutilizado".
"Não faz sentido", comentou, enfatizando que nenhuma outra companhia consegue um crescimento tão rápido do número de passageiros quanto a Ryanair, de que Portugal tem exemplo no Porto e em Faro, em que no espaço de um ano ascendeu à liderança, ultrapassando a TAP no primeiro caso e a easyJet no segundo.
Como habitualmente, a Ryanair não deixou de lançar hoje algumas farpas sobre a TAP, dizendo que os seus preços são um quinto dos da companhia portuguesa e insinuando que a ANA não quer a low cost em Lisboa "possivelmente" para proteger a TAP, especialmente quando se avizinha a privatização da transportadora aérea.
Mas as maiores farpas estiveram reservadas para a easyJet, o que parece confirmar algumas informações que têm circulado em meios da aviação de que esta se prepara para uma expansão da sua operação em Lisboa que levará o aeroporto a ficar muito próximo do esgotamento da capacidade.
Sem abandonar a ironia que lhe é reconhecida — "pode ser que dentro de algum tempo os portugueses ponham um homem na Lua... e a easyJet abra a base em Lisboa" —, tal como "as palhaçadas" para a fotografia, O’Leary não deixou também de marcar distâncias.
"Dizem [a ANA] que [o Terminal 2 da Portela] não é apropriado para companhias low cost. Mas a easyJet está lá... ah, mas, ok, a easyJet não é uma companhia low cost". "Mas deve ser apropriado para alguém...", sublinhou ainda O’Leary que, pelo que foi possível perceber, quer mesmo ter a Ryanair a operar em Lisboa e nem sequer levanta questões de custos — como o fazia há alguns anos — ou incentivos.
Como seria de esperar, O’Leary de forma alguma iria dizer que para ele os custos estão bem e preferiu contornar a questão, repisando a mensagem que o trouxe a Lisboa.
"Não é um aeroporto especialmente barato, mas a oportunidade existe no terminal doméstico", comentou, para frisar de seguida que "a questão neste momento não é custos, a questão é porque é que a ANA não nos permite utilizar as instalações domésticas", quando "eles têm um terminal doméstico quase vazio".
E Beja poderá estar no horizonte da Ryanair? "Não, porque deveríamos considerar [Beja], quando há um terminal perfeitamente bom e vazio na Portela. Porquê considerar um aeroporto a duas horas e meia? Aí consideraríamos Faro", respondeu.
Mas a sua mensagem não terminava aí.
Certamente conhecedor das rivalidades ibéricas O’Leary não só disse que não se iria avistar com alguém da ANA nesta breve escala em Lisboa — "Falámos [com eles] há 12 meses e vieram com a ideia tonta de que não pensam que o Terminal 2 seja apropriado para as low cost. Mas nós pensamos que é apropriado, é perfeito" —, como, quando questionado sobre o que iria fazer a seguir, disse que ia para Madrid anunciar "mais crescimentos de tráfego" na capital espanhola e em Barcelona.
Fontes da companhia low cost avançaram que a Ryanair vai receber novos aviões no último trimestre deste ano e nos primeiros meses de 2012 e que a companhia está actualmente a conversar com vários aeroportos para avaliar onde tem as melhores condições para a sua utilização.
De acordo com essas fontes, Lisboa não se posicionou para essa "corrida" aos novos aviões da Ryanair.
In: Presstur