"Como qualquer transportadora comunitária, a Ryanair tem acesso ao Aeroporto de Lisboa, dentro dos limites de capacidade disponível" — é a resposta da ANA, gestora dos Aeroportos do Continente e Açores, às críticas de que foi alvo pelo CEO da Ryanair, Michael O’Leary, a quem também diz que para a capital não segue "uma estratégia de volume indiferenciado". Na sua primeira conferência de imprensa em Lisboa, Ryanair questionou porque é que a ANA não quer a companhia no Terminal 2, actualmente para voos domésticos, mas que está destinado a ter a base da easyJet na capital portuguesa anunciada com "pompa e circunstância" há quase um ano (a 18 de Outubro de 2010) sem "data exacta" para começar, mas com expectativa de iniciar as operações no prazo de um ano.
Em resposta às críticas de O’Leary, que alegou não entender porque a ANA se empenhou em que tivessem bases no Porto e em Faro, mas tem um tratamento diferenciado em Lisboa, quando em três anos poderia estar acima dos três milhões de passageiros por ano, a gestora dos aeroportos, através do seu gabinete de Comunicação, retorquiu que "os mercados servidos pelos diversos aeroportos nacionais são distintos" e que no caso de Lisboa não pretende "uma estratégia de volume indiferenciado".
"Lisboa dispõe de uma vasta rede de ligações e tem várias transportadoras baseadas", pelo que eventuais apoios serão para "desenvolver novos serviços que complementem essa rede, e não uma estratégia de volume indiferenciado", diz a ANA.
O Terminal 2 do Aeroporto da Portela começou a operar em 1 de Agosto de 2008, omo terminal de partidas de voos domésticos.
Mário Lino, então ministro das Obras Públicas e Telecomunicações, anunciou na época que em quatro anos o novo terminal teria um piso subterrâneo para também processar o movimento de chegadas, dizendo que a nova infra-estrutura poderia então "ser utilizada por qualquer companhia aérea, incluindo as low cost e as charter".
"Patinho feio" do Aeroporto de Lisboa na época em que foi inaugurado, sendo alvo de várias críticas, o Terminal 2 é agora o alvo da cobiça da Ryanair, que o considera "perfeito" para a sua operação, designadamente por permitir que os aviões possam parar nas proximidades e rapidamente fazer o desembarque e embarque de passageiros pelas duas portas do avião, e não apenas por uma, como acontece quando encostam às "mangas", que ainda por cima tem custos superiores.
Para a Ryanair assim estaria preservado um dos princípios basilares do seu modelo de operação, que é ter os aviões em solo no máximo por 25 minutos, porque é com eles a voar que faz dinheiro.
No entanto, este modelo só funcionaria assim caso os passageiros se pudessem deslocar a pé entre a aerogare e os aviões, o que segundo algumas fontes da aviação dizem ao PressTUR a ANA não permite no Aeroporto de Lisboa.
In: Presstur