A presença do CEO da Ryanair, Michael O’Leary, em Lisboa reactivou a discussão do papel das companhias low cost no aeroporto da capital. A companhia irlandesa e a TAP envolveram-se numa troca de argumentos que ainda não terminou. Há novos episódios, indirecto. O presidente da RENA, Associação das Companhias Aéreas em Portugal, Paulo Geisler afirmou em comunicado para a imprensa que a entrada de qualquer companhia no aeroporto de Lisboa tem de ser realizada "em condições objectivas, transparentes e não discriminatórias", uma critica à suposta subsidiação de companhias low cost e da "condução" do Terminal 2 para as mesmas.
"O incentivo ao baixo custo e quantidade em detrimento da qualidade, a exemplo de outras indústrias nos últimos anos, pode sair muito caro ao país. Os sistemas de incentivos devem premiar a criação de emprego, o investimento directo em Portugal, a fidelização e antiguidade nos aeroportos e a formação profissional. Uma aposta clara na qualidade, naturalmente não esquecendo o crescimento e a introdução de novas rotas sustentadas", afirmou o presidente da RENA, associação que representa 17 companhias regulares entre as quais a TAP.
Paulo Geisler garantiu que "nada move a RENA e as suas associadas contra qualquer companhia de baixo custo" mas alertou para as práticas das mesmas pois "[recebem] apoios diversos das regiões para onde as companhias operam, ficando essas regiões muitas vezes prisioneiras da sistemática pressão para manter ou aumentar tais apoios".
A Ryanair reagiu em comunicado dizendo que as leis europeias permitem que todas as companhias beneficiem de incentivos e termos comerciais por igual. Concluiu que a RENA "e os associados de tarifas altas preferem continuar a queixar-se em vez de baixarem preços e competirem com a Ryanair em tarifas baixas e aumento de tráfego".
Daniel de Carvalho, diretor de comunicação, afirma: "desde 2009 a Ryanair contribuiu para o crescimento do tráfego aéreo português em 154% para 3.3 milhões de passageiros anuais, enquanto a TAP subiu 4% não contribuindo para a criação de postos de trabalho e turismo". Sobre a RENA considerou "preferir manter o status quo das tarifas altas e crescimento zero de turismo em vez de promover o modelo Ryanair que dinamizou o turismo e aeroportos de Faro e Porto."
Por sua vez, fonte da TAP reagiu ao Público dizendo que o crescimento da companhia low cost "se deve aos subsídios e apoios que recebe que distorcem as regras de uma concorrência leal que sempre existiram entre as companhias de aviação, com benefícios para os passageiros. A Ryanair está habituada a agredir a ofender impunemente" e que "é tempo de compreender que a chantagem e a intimidação são armas sem futuro".
In: www.lowcostportugal.net