Prejuízo mantém-se por inteiro.
Os pilotos da TAP anunciaram a desmarcação do primeiro de dois períodos de greve que deveria começar às 00h00 de sexta-feira, e prolongar-se até segunda-feira, dia 12, quando os passageiros que tinham viagens marcadas já tiveram que as cancelar, adiar ou transferir para outras companhias. Fonte da companhia confirmou ao PressTUR já ter a informação da desconvocação da greve entre amanhã, dia 9, e segunda-feira, dia 12, sublinhando que ao manter o segundo período de greve, marcado para os primeiros dias de Janeiro, o Sindicato provoca que mais passageiros debandem e que a empresa sofra perdas significativas.
O segundo período de greve, entre os dias 3 e 6 de Janeiro, dizem ao PressTUR fontes da empresa, pode ainda ser mais gravoso para a TAP, porque abrange parte do período dos regressos das viagens de réveillon, o que afectará as vendas para esta época, que é uma das mais fortes na estação baixa da aviação.
A justificação do SPAC para manter o segundo período de greve é que precisa ser mandata pelos associados e que para isso precisa convocar uma assembleia geral, ao contrário do que fez com o primeiro período desconvocado em cima da hora.
De acordo com a TSF, que cita um comunicado do SPAC, o primeiro período de greve foi desconvocado por que o sindicato teve "as garantias suficientes para o que o acordo seja cumprido", o que ainda torna mais incompreensível a manutenção da ameaça de greve em Janeiro que continuará a afastar clientes da empresa.
O comunicado diz ainda que com essas "garantias" o sindicato considera que "haverá a recuperação de um clima saudável, através da equidade no tratamento entre pilotos e chefias".
Um dos alvos da greve eram os pilotos em funções de chefia, a quem a empresa integrou nos vencimentos os complementos, como fez com os quadros dos outros departamentos.
Algumas fontes dizem que, porém, este conflito vem desde que algumas dezenas de pilotos se recusaram a pagar uma quota extraordinária para ser custeado um consultor do sindicato.
O comunicado também se refere à reclamação de "envolvimento" na privatização da empresa, sem explicitar.
O SPAC diz apenas que "encontrou no Governo um interlocutor sério e interessado em viabilizar uma solução equilibrada para o envolvimento dos pilotos no processo de privatização".
Esta reivindicação prende-se com o acordo a que o SPAC chegou com o Governo da época, liderado por António Guterres, e que lhe dava direito a uma participação no Capital da TAP quando da sua privatização, por troca com o sindicato não exigir os aumentos que reivindicava e que foram "sancionados" por uma comissão arbitral.
Essa crise desenvolveu-se durante o ano de 1999 e a solução foi encontrada no quadro do processo de venda da TAP à então Swissair (que também foi o enquadramento para a vinda de Fernando Pinto para a liderança da gestão executiva da companhia), que acabou por não se concretizar porque a companhia suíça foi à falência por não ter aguentado o impacto no sector da aviação dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque.
In: Presstur