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Decorreu entre os dias de 29 de Maio e 1 de Junho mais uma actividade internacional da nossa Associação. Desta vez o destino foi o País dos chocolates, queijos, relógios, bancos, montanhas, aeroportos e bases aéreas spotter friendly.
Depois de vários meses de planificação, em conjunto com o nosso associado Philipe Rey e com a AFZ, foi decidido visitar as bases aéreas de Payerne e Meiringen e o Aeroporto de Zurique. 
Assim, dia 29 de Maio, o grupo partiu em vários voos, ou não fossemos uma Associação de Entusiastas de Aviação, com destino a Genebra. A tarde desse dia foi aproveitada para fotografar num dos aeroportos mais fotogénicos da Europa. Com o aproximar do fim do dia arrancámos em direcção a Payerne para jantarmos com o Philipe e recuperar energias para a visita de sexta-feira. 
Payerne é uma das várias bases operacionais da Força Aérea Suíça. Construída em 1921, fica perto do Lago de Neuchatel, sendo rodeada por vários campos de cultivo e pequenas aldeias. Como as demais bases aéreas suíças, aposta na sua inserção no meio em que se encontra, pelo que é atravessada por estradas rodoviárias, que fecham durante as operações de voo, inexistência de vedações e abrigos reforçados camuflados com árvores, relva e campos de cultivo. Em 1946 foram colocados nesta base os Vampire, primeiros jactos ao serviço da SAF, que receberam em 1948 a companhia dos míticos P-51D Mustang. Os Venon entraram ao serviço nesta base em 1953, aos quais se juntaram em 1958 os Hunter. A base torna-se famosa a partir de 1966, ano em que entra em serviço um dos aviões mais famosos da SAF, o Mirage IIIS. Em 1978, a Suíça adquire os F5 para complementar os Mirage nas tarefas de intercepção e superioridade aérea. Em 1991 a Confederação Suíça decide adquirir os F18 para substituir os Mirage e dotar a sua Força Aérea de uma aeronave capaz de rivalizar com qualquer outra aeronave em serviço na Europa. 

Hoje em dia a Base Aérea de Payerne é a mais importante da Força Aérea Suíça. Para demonstrar a história desta Base, na entrada da mesma encontra-se um Mirage IIIS em exposição. E foi aqui que os elementos da APEA se reuniram pelas 8:30 para dar início à visita a esta unidade. Mal chegámos já era audível os motores dos F18 e dos F5. Rapidamente nos colocámos junto à cancela para observar a descolagem de uma parelha de F5 e passagem de uma parelha de F18. E quando digo passagem, significa que os aviões estavam a 2 metros de nós! E não havia rede a prejudicar as fotografias ou militares zelosos a proibir-nos de fotografar. Após as descolagens das várias parelhas de F5 e F18 fomos então visitar o simulador do F18.  


Localizado num edifício construído de propósito para albergar este instrumento, fomos recebidos pelo Coronel Roland Henzi, piloto de F18 e F5. Dirigimo-nos para o auditório onde foi efectuada uma apresentação sobre a operação do F18 na Suíça, tipologia de operações, armamento utilizado e formação. Seguiu-se uma apresentação sobre o simulador. A Força Aérea Suíça opera um simulador, instalado numa redoma que permite ao aluno ter uma visualização de 180º. Este aparelho vai ser substituído por 4 simuladores mais pequenos que permitem “voos” em simultâneo, permitindo simulação de combates 1vs1, 2vs2 ou mesmo os 4 contra adversários gerados pelos computadores.  Finda a apresentação seguimos para o simulador. Aqui não é permitida a recolha de imagens. Entramos para a sala onde se encontra o cockpit de um F18D. Subo as escadas com o Philipe e coloco-me sentado ao lado esquerdo do piloto. O Luís Santos, o Pedro Becken e o Floriano Morgado ficam do lado direito do cockpit. Ligado o simulador, verificamos que estamos sentados na cabeceira da pista de Payerne. Vamos simular uma descolagem de alerta para interceptar um intruso sobre os Alpes. O piloto aplica potência militar e subimos rapidamente. É verdadeiramente impressionante observar o trabalho do piloto no cockpit. Apesar de o simulador ser estático, não deixamos de sentir algumas das sensações que os pilotos sentem na realidade, quando fazemos voltas apertadas, loopings ou toneaux. Outro factor curioso é o ruído, cópia fiel do barulho produzido pelo F18. Interceptado o avião intruso, este torna-se hostil e iniciamos uma sessão de dogfight, sobre os Alpes. Impressionante é o mínimo que se pode dizer. Confesso que fiquei zonzo. Mas o que mais impressiona é a velocidade dos movimentos do piloto no cockpit. Manche, motores, leme e botões, tudo se mexe de uma forma estonteante. Abatido o alvo, seguimos para Sion, onde fazemos um flyby a velocidade elevada, um conjunto de manobras de acrobacia e aterramos. Saímos da sala e vamos assistir a um novo voo, mas desta vez na perspectiva do instrutor que está na sala do comando do simulador. Ele dispõem de 6 ecrãs onde observa os instrumentos do avião, os movimentos que o piloto faz, os parâmetros de voo e controla o adversário. Mas tal como no voo anterior, voar contra o instrutor chefe não é fácil, e volta a ser abatido. Despedimo-nos dos elementos da Força Aérea Suíça e vamos para perto da pista fotografar a acção. Somos colocados no topo de um dos HAS a meio da pista, com uma vista única sobre a pista, taxiways e placa. Somos então brindados com um verdadeiro espectáculo que inclui descolagens e aterragens de várias parelhas de F5s e F18, a partida da Patrulha PC7, composta por 10 PC7, sessão de treino de um Falcon 50, chegada e partida da B1900D, partida do PC6 de suporte da Patrulha Suíça, partida de um Cougar e AL-III e flybys de formação de F18 e F5. 

Mas como em tudo na vida, o que é bom acaba. Pelas 15:00 terminaram os voos pelo que há seguir para outros locais. Despedimo-nos do Philipe e seguimos para Zurique, mas parando em vários Aeroportos/Bases Aéreas pelo caminho. A primeira paragem foi na capital da Suíça, Berna. Pequeno aeroporto, onde não demorámos mais que 10 minutos a fotografar o que lá estava. Paragem seguinte em Meiringem, onde comprovámos o que o Philipe já nos tinha dito, 0 de actividade aérea de tarde. Passagem por Alpnach e Interlaken, bases aéreas que voltam a mostrar a capacidade da Força Aérea Suíça em esconder as suas instalações. Dia 31 de Maio, realizou-se a programada visita ao Aeroporto de Zurique. Em 1946 um plebiscito decidiu a construção de um novo aeroporto internacional na região de Zurique, numa planície entre as vilas de Kloten e Rümlang. O aeroporto de Dubendorf, usado então, não dispunha de capacidade para a operação de aviões maiores, além de ser usado por quer por empresas civis quer pela Força Aérea. Construído entre Novembro de 1950 e Agosto de 1953, foi finalmente declarado operacional a 30 de Agosto de 1953. Com o passar dos anos, e fruto da neutralidade do país, economia sólida como as montanhas suíças e o crescimento da Swissair, companhia com sede em Kloten, tornaram este aeroporto um importante hub dentro da Europa. A própria política de rotas e ligações da Swissair fizeram com que o aeroporto se ajustasse às necessidades dos seus passageiros, na melhor tradição suíça de eficiência. Hoje são três terminais. O Terminal A mais o Terminal remoto é dedicado à Swiss e suas parceiras e o terminal internacional, ou Terminal B, de onde partem os vôos das empresas internacionais que servem Zurique. Todos estão ligados, permitindo tempos mínimos de ligação entre voos. Apesar do grande número de movimentos da Swiss, o aeroporto não pode ser comparado a grandes geradores de tráfego internacional, como Frankfurt, Paris CDG ou Heathrow. Ainda assim, o aeroporto é um dos preferidos pela comunidade de spotters mundiais. E porque? Principalmente pelo respeito das autoridades pelo nosso hobby. A quantidade de locais criados especialmente para as pessoas observarem os aviões é impressionante e sem paralelo no mundo. A começar pelo terraço, localizado no Terminal B, ao ar livre e sem vidros. Paga-se pelo acesso (a incrível quantia de dois francos suíços), e em seguida todos são submetidos à uma revista e passagem pelo detector de metais, medidas adoptadas após a Guerra do Golfo. Aliás, apesar dos mais recentes eventos no mundo, o terraço nunca encerrou. Impressiona ver a quantidade de famílias que vai passar umas horas neste local. Mas fora do Terminal existem inúmeros locais. Desde os vários parques de estacionamento, onde se pode observar as aterragens na pista 34 ou as descolagens na pista 28, passando pelos parques existentes no cruzamento ou nas cabeceiras 16 e 14 os entusiastas dispõem de uma variedade de locais para satisfazer os entusiastas mais exigentes. Conforme já tinha sido combinado com a AFZ, encontrámo-nos com o Presidente desta Associação, Peider Trippi junto à entrada do terraço. Isto depois de estarmos desde as 6:00 no parque de estacionamento em frente à pista 34 a fotografar as aterragens, Após os procedimentos de revista, entrámos para o terraço, onde esperámos por mais um elemento da AFZ para descermos para a placa. Iremos fazer a visita acompanhados por um grupo de spotters irlandeses. Iniciámos a nossa viagem com um passeio até à zona de manutenção da SWISS onde nos aguardava a primeira surpresa, um A340-300 com matrícula suíça e pintura Air Canada!!! E logo a seguir outra surpresa, um Falcon 7X. Começava bem a visita. Seguimos rapidamente para o fim desta placa, onde tirámos a fotografia de grupo e aproveitámos para fotografar um BBJ.  Arrancámos rapidamente para a placa central, do outro lado da pista 34, onde ainda aproveitámos para ver o quartel dos bombeiros. Nesta placa, famosa por no decurso do WEF albergar várias dezenas de bizjets, encontrava-se outra surpresa. Um Antonov2 lituano. Além deste espécimen, estavam vários bizjets e helicópteros. Depois de termos feito a placa a pé, embarcamos rapidamente no autocarro em direcção à cabeceira da pista da 28, parando sempre que passávamos por algum avião mais interessante. Chegados à cabeceira da 28, ficamos cerca de 45 minutos a fotografar os aviões a descolar. E havia de tudo. Desde A340 da SWISS a Legacys A9C, passando por bizjets, aviões de instrução, helicópteros, tudo passou ao alcance da 24-70!   Mas como ainda havia mais para fotografar, seguimos para a zona de manutenção de bizjets, onde entre outras coisas interessantes, estava um Caravan com flutuadores. Estava agora na hora de ir para um dos locais excepcionais de Zurique. O cruzamento da pista 28 com a pista 34. Estamos sensivelmente a 50 metros das duas pistas, local onde fazem a rotação. Impressionante é dizer pouco… Infelizmente a visita tinha que terminar, pelo que às 11:45 estávamos de volta ao terraço a fotografar mais umas descolagens. Com a mudança de luz, mudámos para as cabeceiras das 16/14 aproveitar para caçar o A340-500 da Emirates. Infelizmente o tráfego de tarde em Zurique não era nada de excepcional, pelo que se decidiu antecipar o regresso a Genebra. Genebra acabou por ser a melhor opção nesse fim de tarde. Para além de termos fotografado o mítico HB-JZG, a quantidade de bizjets tornou o fim de tarde excelente. 

Domingo foi o dia de regresso dos elementos da APEA a Portugal e da chegada da Selecção nacional à Suíça. Muitos emigrantes entusiasmados nas redondezas do aeroporto e os elementos da APEA entusiasmados pelos bizjets que iam vendo, entre eles, o mítico 3C-EGE! 
Em jeito de conclusão, apenas lamento a reduzida adesão dos associados a esta iniciativa. Não foi fácil planear esta visita, várias entidades envolvidas que ficaram impressionadas com a APEA, mas que contavam com mais associados presentes. A Suíça é um dos poucos países da Europa em que é possível organizar eventos desta natureza. Pessoalmente considero esta como uma daquelas iniciativas que os associados não deveriam ter abdicado de participar. No entanto, cada um é livre de participar ou não nas actividades da nossa Associação. Espero que em futuras actividades internacionais o número de participantes cresça… E até à próxima visita da APEA. Mais fotos em: http://forum.apeapt.com/viewtopic.php?f=10&t=2629 |